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AULA PRÁTICA

FÁBULAS

RESGATANDO VALORES 

 

3ª a 4ª Séries do Ensino Fundamental

 

Introdução

Muitos são os valores que podem ser trabalhados através das narrativas: amor, caridade, prudência, justiça, honestidade, paciência, respeito, responsabilidade, fortaleza e temperança... Percebendo que é impossível falar de Educação sem trabalhar valores com alunos através das narrativas, notamos também que a vivência através dessa experiência aumentará bastante a possibilidade de um melhor relacionamento social. Eis aí o porquê de trabalharmos valores através das narrativas, especificamente fábulas por serem curtas e bastante diretas para um mundo corrido como o nosso e para caminharmos rumo à  nossa humanidade e espiritualidade.Resta-nos mergulhar no mundo das fábulas para retirarmos delas subsídios virtuosos, resgatando valores para que a educação seja realmente a arte de conhecer, cuidar e criar.  

 

CONHECENDO UM POUCO MAIS SOBRE AS FÁBULAS

O que é e de onde vem a fábula?

FÁBULA = Pequena narrativa em que se aproveita a ficção alegórica para sugerir uma verdade ou reflexão de ordem moral, com intervenção de pessoa, animais e até entidades inanimadas. (Moderno Dicionário de L. Portuguesa – Michaelis).

Características das Fábulas

§         A  fábula trata de certas atitudes humanas, como a disputa entre fortes e fracos, a esperteza, a ganância, a gratidão, o ser bondoso, o não ser tolo.

§         Muitas vezes, no finalzinho das fábulas aparece uma frase destacada chamada de MORAL DA HISTÓRIA, com provérbio ou não; outras vezes essa moral está implícita.

§         Não há necessidade de descrever com muitos detalhes os personagens, pois o que representam nas fábulas (qualidades, defeitos) já é bastante conhecido.

§         Tempo indeterminado na história.

§         É breve, pois a história é só um exemplo para o ensinamento ou o conselho que o autor quer transmitir.

§         Conflito entre querer / poder.

§         O título não deve antecipar o assunto, pois não sobraria quase nada para contar.

§         A resolução do problema deve combinar com a sua intenção ao contar a fábula e com a moral da história.

DE ONDE VEM A FÁBULA? 

As fábulas são tão antigas quanto as conversas dos homens, às vezes, nem sabemos quem as criou, pois através da oralidade eram carregadas como vento de um lado para outro, já que a própria palavra provém do latim FABULA = contar.

No século VIII a.C. já se tinha notícias dessas histórias, sendo que as fábulas muito antigas do Oriente foram difundidas na Grécia, há 2600 anos, por um escravo chamado Esopo. Apesar de gago, corcunda, feio e miúdo, como diziam alguns, era inteligente, esperto e de muito bom senso; por esse motivo, conquistou a liberdade e viajou por muitas terras dando conselhos através das fábulas.

Esopo foi condenado à morte e jogado do alto de um abismo. O motivo foi a vingança do povo de Delfos, mas as suas 600 fábulas continuaram a ser contadas, escritas e reescritas por outros fabulistas. Fedro é o primeiro escritor latino a compor uma coletânea de fábulas, tendo sido imitado e refundido várias vezes.

O escritor francês Jean de La Fountaine (século XVII – 1601 – 1700) usava fábula para denunciar as misérias e as injustiças de sua época em versos e em prosa.

A partir dessa época, muitas histórias escritas inicialmente para adultos já começaram a ser adaptadas para crianças, retirando delas os elementos violentos e os aspectos nocivos à educação. Mas a fábula moderna preserva todo o vigor que vem apresentando desde os tempos antigos.

No Brasil, temos o grande fabulista, Lobato. Além de recontar as fábulas de Esopo e La Fountaine, cria suas próprias fábulas com a turma do sítio, como mostra o seu livro “Fábulas”, onde Pedrinho diz “As fábulas, mesmo quando não valem grande coisa, têm um mérito: são curtinhas.” Narizinho acha as fábulas sabidíssimas e Emília as considera uma indireta.

O escritor brasileiro usou fábulas para criticar e denunciar as injustiças, tiranias, mostrando às crianças a vida como ela é. Em suas fábulas, alerta que o melhor é esperto (inteligente) porque o forte sempre vence e Visconde afirma que o único meio de derrotar a força é a astúcia.

Até hoje esse gênero narrativo existe e por ser curto, tem o poder de prender a atenção, de entreter e deixar uma mensagem, um ensinamento.

Millôr Fernandes, com seu humor e ironia, cria e recria fábulas refletindo valores e antivalores, satirizando a nossa realidade sócio – política – econômica em seus livros, “Fábulas fabulosas”, “Novas fábulas fabulosas” e “Eros uma vês”.

Outros autores também vêm se dedicando ao gênero, como Carlos Eduardo Novaes, que, em  “A história de Cândido  Urbano Urubu” retrata a realidade social brasileira; Augusto Monterroso com “A ovelha negra e outras fábulas” e até mesmo Ulisses Tavares com “Fábulas do futuro”.

                        

Versões de uma mesma fábula

 

A Cigarra e as Formigas

No inverno, as formigas estavam fazendo secar o grão molhado, quando uma cigarra faminta lhes pediu algo para comer. As formigas lhe disseram: “Por que, no verão, não reservaste também o teu alimento?” A cigarra respondeu: “Não tinha tempo, pois cantava melodiosamente”. E as formigas, rindo, disseram: “Pois bem, se cantavas no verão, dança agora no inverno.

 

A fábula mostra que não se deve negligenciar em nenhum trabalho, para evitar tristeza e perigos.

Esopo: fábulas  completas. Tradução de Neide  Smolka. São Paulo, Moderna, 1994

 

A Cigarra e a Formiga

Tendo a cigarra cantado todo o estio, achou-se em apuros com a entrada do inverno. Não possuía nem um pedacinho de mosca, nem um vermezinho para se alimentar. Desesperada, foi bater à porta da formiga sua vizinha. Pediu que lhe emprestasse algum grão, a fim de poder subsistir até à chegada do tempo melhor.

- Eu pagarei com juros, disse ela, antes de agosto. Palavra de honra.

A formiga não gosta de dar emprestado, nem é prestimosa: é esse o seu defeito.

- Que fazias no tempo de calor? - perguntou-lhe.

- Eu cantava noite e dia a todos que apareciam. - respondeu a cigarra.

                         - Cantavas no verão? Que bela vida! Pois bem, dança agora.

 

 

Muitos são contra a formiga por ter procedido assim. Mas o Sr. La Fountaine certamente explicaria que esse seu defeito é pequeno em face das virtudes, pois é trabalhadeira, diligente e precavida. Já o não foi a cigarra, que nada fez garantir os dias futuros. E lançou mão da mais simples das soluções: pedir emprestado. A lição de La Fountaine consiste "em que devemos cuidar do dia de amanhã, e não contar com empréstimo para cobrir o que não produzimos". Que cante a cigarra, mas que trabalhe! Essa é a lição. Fábulas de La Fountaine – Tomo I

 

A Formiga Boa

- E que fez durante o bom tempo, que não construiu sua casa?

A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois de um acesso de tosse.

- Eu cantava, bem sabe...

- Ah!...- exclamou a formiga recordando-se.

- Era você então quem cantava  nessa  árvore  enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?

- Isso mesmo, era eu...

- Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: “que felicidade ter como vizinha tão cantora!” Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.

A cigarra entrou, sarou  da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.

  Monteiro Lobato Fábulas. São Paulo, Melhoramento,1994

 

 

A Formiga Má

 

[...] a formiga era uma usuária sem estranhas. Além disso, invejosa. Como não soubesse cantar, tinha ódio à cigarra por vê-la querida de todos os seres.

- Que fazia você durante o bom tempo?

- Eu... eu cantava!...

- Cantava? Pois dance agora, vagabunda! ¾ e fechou-lhe a porta no nariz: a cigarra ali morreu estanguidinha; e quando voltou a primavera o mundo apresentava um aspecto mais triste. É  que faltava na música do mundo o som estridente daquela cigarra morta por causa da avareza da formiga. Mas se a usurária morresse, quem daria pela falta dela?

Os  artistas ¾ poetas, pintores, músicos ¾ são as cigarras da humanidade. Monteiro Lobato. Fábulas. São Paulo, Melhoramentos 1994.

 

A  Cigarra e a Formiga

Tendo a cigarra em cantigas

Folgando todo o verão

Achou-se em penúria extrema

Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha

Que trincasse, a tagarela

Foi valer-se da formiga,

Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,

Pois tinha  riqueza e brio,

Algum grão com que manter-se

Até voltar o acesso estio.

A formiga nunca empresta,

Nunca dá, por isso junta.

No verão em que lidavas?” 

À pedinte ela pergunta

Responde a outra “Eu cantava   

Noite e dia, a toda a hora.

- Oh! Bravo! ¾ torna a formiga

- Cantavas? Pois dance agora”

                               (Bocage)

 PERSONAGENS DAS FÁBULAS

A grande maioria da fábulas têm animais como personagens, mas há fábulas em que as comparações são feitas entre seres humanos e objetos ou plantas.

 

Normalmente, as fábulas terminam com uma LIÇÃO DE MORAL. Sua função social é preservar a MORAL dos povos. 

 

Observe a presença marcante dos animais na Fábula de La Fountaine.

 

A rã e o boi

Uma rã viu um boi e sentiu inveja de seu belo porte. Ela , que no total era menor do que  um ovo, começou a se esticar e a inchar, matirizando-se para ficar do tamanho do grande animal. E ia perguntando a uma outra rã: 

- Olhe bem, minha irmã, e diga: já chegou? Já estou igual ao boi?

- Que nada!

- E agora, consegui?

- De jeito nenhum!

- E agora? Fiquei como ele?

- Nem chegou perto!

E assim o bichinho foi inchando... inchando...até que estourou.

MORAL:O mundo está cheio de pessoas tão insensatas como a rã: todo burguês planeja construir um palácio, qualquer principezinho tem embaixadores, o marquês que ter pajens como o rei.

 O apólogo é composto de duas partes, das quais uma pode chamar-se o corpo, a outra a alma. O corpo é a fábula; a alma, é a moralidade. Aristóteles só admite na fábula os animais; ele excluiu o homem e as plantas. Esta regra é menos de necessidade que de conveniência, porque nem Esopo, nem Fedro, e nenhum dos fabulistas a cumpriu. Quando à moralidade, ao contrário,  nenhum deles a dispensou.Existem fábulas que colocam como personagens, objetos, pessoas e plantas.

 

(Marly Aparecida Garcia Souto)

 

                            

BIBLIOGRAFIA

·Bodstein, Almir Jorge (1994) As Virtudes cristãs, Academia Araçatubense de Letras SP

·Cardoso, Manoel (1991) Estudos de Literatura Infantil, São Paulo, Editora do Brasil

·Dolme, Vânia (2000) Técnicas de contar histórias, São Paulo, Editora Informal

·Fábulas de Esopo – Ed. Martins fontes – São Paulo 1997

·Fábulas de La Fountaine – Ed. Martins São Paulo 1997

·Fernandes, Mônica Teresinha Ottoboni Sucar (2001) Fábula, São Paulo, FTD

Adaptação de contos (1989), Manuais de Comunicação nº 10, São Paulo, Paulinas

·Francia Alfonso, Oviedo Otila (1998), Educar através das fábulas, Paulus (Portugal)

·Marques, Ramiro (2001) O livro das virtudes de sempre, São Paulo. Ed. Landy

·Martinelli, Marilu (1999) Conversando sobre Educação em Valores

Humanos 2ª ed., São Paulo, Editora Fundação Petrópolis


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